Blog, costura, textos

A saia preta de tule

Já faz tanto tempo que fiz esta saia que precisei recorrer aos “anais” do Instagram para verificar quando o rolo começou:

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Ok, há 182 semanas.

Tendo um ano 52, pelas minhas contas ela foi iniciada há 3.5 anos, ou seja, Agosto de 2012. Então em Julho ou Agosto de 2012 fiz essa saia pela primeira vez.
Cortei este tule lindo, fiz um forro num jersey preto e encaixei o cós. Quando provei, percebi que o cós estava bem esquisito no meu corpo.

Ok, fui lá e retirei o cós, conferi a modelagem, conferi as medidas, cortei outro cós e fechei tudo de novo pela segunda vez. Aquele silêncio entre o último ponto e a prova no espelho tomava conta da sala quando me dei conta de que ainda não estava legal.

Tudo bem, costura é assim mesmo. Desmanchei mais uma vez e retracei o terceiro cós, entretelei e continuei a costurar a saia. Quando fui arrumar o zíper, pelo fato da saia já estar fechada no comprimento, o encaixe não ficou bom, ficou um final de zíper meio tortinho, sabe?  Larguei de lado, afinal, era madrugada.

Alguns dias depois resolvi arrumar o zíper. Desmanchei com cuidado, abri o cós, retirei o zíper e, quando eu fui fechá-lo, notei (veja bem, notei) que o zíper invisível estava torcido, ou seja, a saia virou um 8 onde nunca, absolutamente nunca desviraria caso eu não refizesse um lado do zíper de novo. Nessa hora eu quis chorar.

Pena que eu não tenho foto/vídeo para mostrar como ficou, mas imagine aquelas tatuagens de infinito, que é um oito deitado? A saia ficou daquele jeito. Qualquer dia alfinete um zíper torcido para ver como fica. Um caos! Assim sendo, coloquei a saia junto com meus tecidos porque não dava pra continuar naquele momento. A coitada entrou no limbo da falsa promessa do “semana que vem eu faço”.

Nisso, o tempo voou.

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Quando fui fazer minhas malas para vir à Nova Zelândia, naquele exercício de enfiar apenas as coisas importantes ou necessárias em duas malas, coloquei-a no grupinho do tem que ir. Nessa seleção vieram também alguns tecidos, moldes antigos e minha tesoura companheira. O pouco restante (já que doei muita coisa) ficaram em duas caixas.

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Ainda no inverno peguei a saia para resolver o pepino.
Rapidamente retirei o cós e o zíper, coloquei a linha na máquina e pronto, finalizei tudo em poucos minutos. Assim, numa facilidade incomensurável, coisa que jamais acontecera nas tentativas anteriores.

Costura é um treco muito louco: ás vezes rola, noutras enrola.
O lance é não desistir quando acredita-se que a peça tem futuro.

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Aproveitei que Raphael estava animadinho fazendo fotos pra cima e pra baixo e pedi à ele que fotografasse a bendita saia para postar aqui no blog. Daí saíram essas fotos bonitas, como essa aqui abaixo, com um movimento lindo que o vento louco de Wellington proporcionou <3.

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Ainda bem que deu tempo de usá-la nesse verão curto e fulgaz. Confesso que sinto saudades daquele sol torrando às sete da manhã – coisa que aqui não existe – mas, no geral, dá pra aproveitar os dias de sol. A cidade ganha um clima tão bom no verão que olha, que prazer que é ter um sol brilhante, viu!

Tule dá mais trabalho para cortar do que para costurar, mas depois de pronta o efeito visual é lindo e delicado. Apesar da trabalheira que essa saia me causou há uns anos valeu a pena ter insistido e terminado a bichinha porque, no final, o processo de costura sempre nos ensina algo e o ritmo que os pensamentos fluem no silêncio são tão bons que valem o esforço.

E o erro, não tem jeito, está incluso no pacote do “faça você mesmo”.
Todo mundo que faz algo prova desse sabor.

Beijo,
Pat

obs. 1: O vestido azul que postei dia desses [AQUI] também é de tule, aliás, são irmãos, comprei no mesmo dia.
obs. 2: foto fofa com dupla exposição que ganhei de presente.

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Poderia ser capa de cd sertanejo dos anos 90, assim, de repente, olhando pro horizonte pensando na vida da bezerra. hahahaha

5 comentários em “A saia preta de tule”

  1. Adoro suas histórias e seu jeitinho brasileiro de falar, dizendo a bichinha deu trabalho.

    Lembrei-me quando trabalhava, e a faxineira atendia o telefone e me dizia, Sonha é sua bichinha no telefone.

    Beijos.

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  2. Eu sou apaixonada por bolo de limão, apaixonada mesmo e quem faz o melhor bolo de limão é a minha mãe, sabe aquele bolo recheado e com uma cobertura branquinha? Era esse bolo que ela fazia em todos os meus aniversários, para vocês terem idéia do meu amor pelo bolinho de limão. Ela só não faz mais esse bolo pelo fato da distância e porque eu sai de casa para criar a minha família com o cliente vip. Porém, eu nunca tentei reproduzir o bolo que ela faz e esses dias me deu uma vontade louca de comer

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