Blog, costura, textos

Quando o trabalho é uma escola

O verão disse adeus às terras neozelandesas mas deixou boas lembranças e muitos ensinamentos. Uma das experiências mais prazerosas na alfaiataria foi ter trabalhado em tantos vestidos de festas e noivas.

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Há tempos tenho ficado interessada nesse universo bridal, nunca antes havia mexido nesse tipo de vestidos e, quando eles começaram a aparecer um à um, fiquei super animada. Era a chance de olhar cada um por dentro, entender as estruturas e também poder tocar e conhecer tecidos de roupas (quase sempre) tão legais.

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Selecionei algumas fotos e histórias para compartilhar aqui no blog e manter registro:

Este vestido abaixo era de uma mocinha que seria madrinha de um casamento e precisava de um vestido exatamente nessa cor, mas o coitado não servia nela, nem por reza. Se eu fosse amiga dela teria dito: Miga, sua louca, bora procurar outro vestido proçê porque esse não tá bom não” mas minha função não é dar dicas de estilo e sim consertar esses problemas, certo?

Ele era uns dois números menor que ela e, apesar de ter pouco seio, o busto ficou completamente amassado, sabe? Não estava legal. Sem contar que ele não fechava da cintura pra cima, um sufoco!

2Desmontei parte do vestido pra retirar as barbatanas das costas e assim ganhar um pouco mais de tecido. Eu confesso que o inicio fiquei com um pouco de medo de estragar essa peça porque era um vestido de seda que custa mais de 700 dólares, e, caso estragasse, meu pescoço estaria comprometido junto, risos.

3Uma das coisas legais é que, depois que meu relacionamento com o alfaiate se transformou (porque no inicio era caótico – AQUI – ) ele passou a confiar muito em mim e passou a deixar todos os femininos na minha mão (até porque ele ñ entende muito de feminino, uma super oportunidade pra mim), então tenho liberdade para definir o que vou fazer e trabalhar como quiser mesmo nas peças mais elaboradas ou nos problemas mais “uó” de se resolver. Tive que mexer também na saia para equilibrar as pregas e a saia encaixou certinho.

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No fim deu tudo certo, deu pra salvar o vestido. A cliente ficou super feliz e com aquela sensação explicita de “uau, agora tenho roupa pro casamento“. Foi bem legal.

Abaixo, um vestido lindo e um dos mais bacanas que eu peguei: bom tecido, boa modelagem, boa proporção e nada over no estilo. Era plus size e a garota havia comprado on-line, então estava largo no busto. O resultado ficou bem bom e nem parece que foi mexido, ne?

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Essa saia é tão linda, mas tão linda que quando vi na vitrine da loja, aproveitei pra provar. Não faz exatamente meu estilo mas eu gosto da estética bailarina-urbana e essas camadas de tule com bordados trazem um resultado maravilhoso.

zsaia

Daí um dia uma mulher levou a danada lá pra fazer um conserto (que nem lembro qual era) e eu aproveitei pra pegar os restinhos de tecidos cortados e trazer comigo como amostra. Cada camada de tecido tem um material diferente e cada material faz um efeito diferente na saia, bem bacana também.

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Uma renda bonita que pertence ao vestido da primeira foto.
Mas ficaria mais legal ainda se fosse delicadamente bordada, não?

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E pra terminar, o vestido mais lindo e sofisticado que trabalhei. Quando a noivinha chegou com uma caixa RICA em mãos, pensei: lascou-se! Como imaginei nos primeiros segundos, o vestido (embora simples no modelo) era super luxuoso nos materiais  e custava uma mini-fortuna. Todo em seda (incluindo forros), havia sido feito com tamanha perfeição que toda parte interna e os detalhes eram preciosamente bem cuidados. Só tive que fazer a barra, mas ainda assim, me preocupou o fato de o tecido ser muito, mas muito leve e suave. O bicho deslizava com um sopro na maquina e troquei a agulha por uma finíssima para não ter perigo de puxar nenhum fio. Barra lenço com o dobro de cuidado e voilá, noivinha feliz.

Na foto abaixo ela não estava com o sapato certo, por isso está um tico mais longo.

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Houveram muitos outros vestidos, alguns fáceis de trabalhar e outros mais complicados mas sempre me ensinando um tanto de coisas novas. Pude sacar um pouco de estruturas, bojos, sustentações e mais um tanto de outras coisas. Nada profundamente (pois eu não os fiz) mas sempre dá pra aprender algo novo.

Bom, meu computador está ruim mas volto em breve com outro post. Lá no Youtube, sempre novos videos toda semana =)

Até logo,
Pat

5 comentários em “Quando o trabalho é uma escola”

  1. Olá Patrícia!

    Coincidências da vida… achei o seu canal do youtube porque acabei de começar a aprender a costurar, daí venho para o blog e vejo sua fotografia feita pela Sharon. Ela estudou com o meu marido e amigos dele na faculdade Casper Líbero aqui em SP.

    Quero te acompanhar no Snap, mas como te acho lá?

    Parabéns pelos seus trabalhos, que são impecáveis!!! Quero aprender muito aqui no seu blog e seu canal!
    Beijos
    Renata

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  2. Olá Patrícia!

    Coincidências da vida… achei o seu canal do youtube porque acabei de começar a aprender a costurar, daí venho para o blog e vejo sua fotografia feita pela Sharon. Ela estudou com o meu marido e amigos dele na faculdade Casper Líbero aqui em SP.

    Quero te acompanhar no Snap, mas como te acho lá?

    Parabéns pelos seus trabalhos, que são impecáveis!!! Quero aprender muito aqui no seu blog e no seu canal!
    Beijos
    Renata

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