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Africa Fashion Festival

Há algumas semanas trabalhei em um evento de moda chamado Africa Fashion Festival e desde então estou querendo fazer este post para organizar todas as fotos, afinal, olhar uma a uma é reviver ❤

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E como eu consegui trabalhar num evento de moda? Simples: muitos eventos possibilitam as pessoas a trabalharem como voluntárias e com o AFFNZ não foi diferente. Raphael viu o evento na agenda da cidade e comentou comigo, quando olhei o site havia um campo para se inscrever e plim, logo me responderam perguntando se eu poderia participar de uma entrevista seletiva.

No dia marcado fui encontrar Pinaman, a organizadora do evento. Pinamam nasceu em Ghana mas vive na Nz há vinte anos. É uma mulher super alto astral e em dois segundos estávamos tricotando como se nos conhecessemos há meses. Ela me explicou como seria toda a estutura do evento e me perguntou onde eu gostaria de trabalhar: no backstage, na sala de desfiles ou no na recepção. Não hesitei em dizer que o backstage era o melhor lugar pra mim (por varios motivos!) e ela topou na hora. E nesse papo todo ainda me deu uma aula de estamparia africana que serei eternamente grata.

Não sei explicar, mas Pinaman é chique sem esforço, sabe? Todo o conjunto dela chama atenção: as roupas, os acessórios, lenços, sapatos… E era uma parada tão simples que toda vez que a encontrei ficava pensando: o que ela fez hoje pra estar tão bonita que todo o resto não fez? Não sei explicar, mas sempre ficava babando no conjunto todo. Aquela pele bem retinta brilhava e ornava com os acessórios que ela usava… A roupa com um corte simples, ora largo, ora com um lenço em algum lugar inesperado e um turbante fazia dela a mulher mais interessante que eu vi nessa NZ. E sem esforço nenhum, não sei explicar. Nem maquiagem, nem qualquer artifício, apenas bela.

1piPinaman ensaiando a passarela com alguns modelos.

Duas semanas antes do evento fui a uma reunião para conhecer a equipe. Fiquei entusiasmada ao perceber que o evento era feito basicamente por mãos femininas. Pinaman, suas amigas, muitas estudantes de moda e euzinha no meio. Bem legal e animador.

O trabalho seria feito em 4 dias: quarta, quinta, sexta e sábado com horarios pré definidos e projetos fixos para cada dia. A agenda de sábado era a única full time e os outros dias, bem tranquilos.

– Na quarta nos encontramos apenas montar as sacolinhas de brindes que todas as pessoas receberam. Então aconteceu algo engraçado: toda a equipe compareceu e o trabalho que fariamos em 2,5 horas foi feito em sei lá, 40 minutos. Montamos uma míni-estação de trabalho e as sacolas foram abastecidas rapidamente com os brindes. Fim.

Engraçado é que o andar do prédio onde rolou o evento estava todo em reforma, só a sala do desfile estava mais em ordem / terminada. Os outros espaços eram basicamente poeira e caixas de reciclagem de papel pra todo canto. Saímos de lá todas empoeiradinhas, risos.

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Quinta-feira: Cheguei para trabalhar e um susto: só havia eu de voluntária lá! Acho que pelo fato de no dia anterior ter ido muita gente, as meninas que estavam na faculdade resolveram não faltar à aula e não compareceram ao AFF. Eu também não me prejudiquei porque o horário era depois do meu trabalho, então foi tranquilo, mas não havia muito o que fazer: a sala de desfiles estava bem organizada e eu ajudei a gerente a conferir as cadeiras conforme os nomes os ingressos comprados. Foi bem rapidinho também.

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Sexta-feira: Cheguei no prédio e encontrei as caixas com os looks do desfile, algumas araras e muitos cabides, ou seja, era hora de reconhecer as peças que seriam apresentadas no desfile. As 11am só havia eu para fazer isso mas logo tive que sair para ir para a alfaiataria.

Quando voltei já estava tudo movimentado: muita gente trabalhando, as modelos provando os looks, DJ’s testando o som e muita conversa. Fiquei meio perdida mas logo conheci uma das estilistas e fiquei perto dela, ajudando com os looks aprovados.

Assim que as roupas voltavam da prova eu as reorganizava nos cabides, colocando-os conforme a ordem de entrada na passarela junto com a polaroide do look montado, os sapatos e os acessórios.

5affarara da marca SOKONA, quase prontinha =)

6affpolaroide de um dos looks + a garota que iria vesti-lo

Quase fui modelo

Daí que logo que terminei de organizar a arara e escolher os acessorios com a estilista, percebi que haviam varios looks não provados. Perguntei à ela por qual motivo eles não seriam desfilados (afinal algumas peças eram muito legais!) e ela então me disse que aquelas roupas não couberam nas modelos e por isso não entrariam na passarela. Um segundo depois ela pediu pra eu provar um dos looks para ver se servia e plim! Ficou certinho em mim. Lá fui eu iniciar um dia de modelo, risos. Fiz a polaroide e o look era um macacão com uma capa. Macacão lindissimo, aliás.

Abaixo minha polaroide do look fotografado e esse meu cabelo gigante versão newzealand:

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Maaaaaas, o dia de modelo durou pouco: quando a estilista pediu para a coordenação a permissão para eu desfilar recebemos um não, afinal, desfilar atrapalharia todo o meu trabalho de dresser, risos! E volta o look pro cabide dos “sem modelo” hehehe.

Enfim, tarde da noite fomos pra casa. Eu com muita informação na cabeça sem saber o que esperar. Tinha muita coisa do evento pronta, mas o desfile em si é montado no dia, certo?

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Sábado: Neste dia tudo realmente aconteceu! Cheguei lá cedo e tudo estava tão arrumado feito mágica, absolutamente tudo no lugar e com muita ordem. As modelos vieram mas logo foram para um salão e o silêncio se instaurou. Passei o dia colocando fitas nas solas dos sapatos, ajudando o pessoal das outras equipes e caçando trabalho. Uma das coisas que eu quis fazer foi passar as roupas com aquele aparelhinho de vapor. Era a oportunidade de poder olhar todas as roupas por dentro e por fora, analisar os tecidos, os acabamentos, ver o que era peça feita só pra desfile e o que iria pras lojas depois etc. Bem legal e bem tranquilo, fora que estava um frio danado e o vapor era tão quentinho… ❤

Mas aí deu 16:30 e as modelos foram voltando e o clima esquentando. Tudo estava em muita ordem e o som começou a subir um pouquinho (o backstage ficava ao lado da sala de desfiles e dava pra ouvir a música), então começamos a vestí-las (os) e conferir se tudo estava ok.

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Abaixo, umas fotos aleatórias: Pinaman resolvendo pequenos pepinos, eu fazendo auto-retrato na frente do espelho e alguns dos óculos que os meninos desfilaram. Em seguida uma das modelos fazendo um teste na passarela e Sophie, a modelo mais simpática sendo re-maquiada por uma das maquiadoras da The Body Shop [todas as fotos aumentam].

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19Depois da primeira correria (vestir, retocar maquiagem etc) rolou outro momento de calmaria. Os convidados estavam chegando então ficamos aguardando a hora exata do evento começar. Aproveitamos esse tempinho para fazer pequenos ajustes nas roupas (sim!), comer alguma coisa e muitas fotos de making of.

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Quando o evento realmente começou rolou um mini-clima de tensão no ar. A fila se formou e ficamos no silêncio ouvindo a abertura (que teve discurso e performances de danças africanas). Logo as modelos foram anunciadas e pronto: não tenho mais fotos de nada. 

É que foi tudo tão rápido que o celular ficou no bolso. Elas voltavam e a gente corria para ajudá-las a retirar as roupas e sapatos e a vestir os próximos looks, tomando cuidado com a roupa x maquiagem e também para não desmanchar os cabelos. E dá-lhe outra fila.
Cada fila era uma coleção diferente.

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Por sorte, antes do último desfile rolou uma apresentação de dança e tivemos um tempo extra para aprontar as modelos. Nesse momento, a maioria dos cabelos foram desmanchados para mudar os looks e também rolou alteração em alguns makes.
Eu não consegui fazer nenhuma foto porque foi realmente corrido. Além de ter que vestí-las, tinhamos que arrumar as roupas já desfiladas porque a volta era uma loucura só. Tudo rapido e cheio de foco. As meninas eram super legais e colaboravam pacas com o trabalho das “dressers“.

E antes que você me pergunte “porque elas mesmas não trocavam a roupa” ? Porque não dá. É a gente tirando blusa, outra desabotoando o sapato, a maquiadora vem trocar o batom… tudo num segundo! As modelos vão apenas seguindo nossos comandos de: agora levanta o pé direito, agora passa o ombro aqui etc.

Aliás, pensa em ser modelo? Então esteja pronta pra ficar nua na frente de todo mundo, usando apenas uma mini calcinha nude. Eu fiquei meio assim, preocupada e algumas meninas foram se trocar numa sala reservada, mas outras nem ligavam, iam no cantinho e trocavam a roupa sem preocupação.

Os últimos looks da Chido. Eu adorei a coleção dela.

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No total foram apresentados 8 designers – todos africanos – alguns morando na Nova Zelândia e outros em algumas partes do mundo como França, Alemanha, Ghana, Londres e Itália. Gostei de muitas coisas: a coleção masculina tinha camisas lindas, a Chido, Sokona e 1981 tinham estampas super legais e com boas modelagens mas quem levou meu coração mesmo foi a linha de bolsas da AAKS. Juro, nunca antes vi bolsas tão bonitas e preciosas… e olha que já peguei essas “etiquetadas” na mão (Chanel, Dior etc –  que apesar de bonitas e muitas com um design bacana, são apenas mais uma bolsa de couro da estação) enquanto as bolsas da AAKS tinham um entrelaçamento super bacana e cores tão vivas que não havia uma pessoa que não houvesse se encantado. Eu fui uma delas.

Abaixo, uma foto do backstage vazio: ao fundo os maquiadores e a estilista da Sokona esperando a fila de modelos voltar para a entrada final.

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Adorei a oportunidade de ter participado do AFF. Corrido mesmo foi só a hora do desfile, do mais, diversão e aprendizado. Claro que tem horas que eu fiquei como uma barata-tonta porque é difícil entender todo mundo falando inglês-ao-mesmo-tempo-tudo-junto, mas o aprendizado foi enorme, inclusive em questões pessoais. Tive dois estalos profundos enquanto “rolava o furacão” que me ensinaram um tanto que só posso agradecer.

Aqui, os snaps que fiz no dia:

Tão gostoso rever isso tudo. Lembrei até do clima do dia, dos cheiros, da emoção. Que legal!
Se tem uma coisa que é real nessa minha vida neozelandesa é que absolutamente TUDO o que vivo aqui é novo e gratificante. Absolutamente nada se repetiu e eu sou super grata por isso.

Aqui um vídeo com a Pinaman falando sobre o evento (em inglês) e flashes da edição anterior.

Até logo,
Pat

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6 comentários em “Africa Fashion Festival”

  1. Que experiência incrível, Pat! Lembrei de um post antigo seu em que você tinha sido modelo de um desfile de um amigo seu (ou algo assim). Acho que você seria uma ótima modelo, mas com certeza o aprendizado é maior e mais profundo atuando nos bastidores 🙂
    Beijos!
    Cris

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    1. Hehehe teria sido divertido, Cris. Mas eu gostei muito de trabalhar, foi mega legal.
      Pensei em me inscrever na NZFW, mas agora não tenho uma semana livre pra passar em Auckland..

      bj

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  2. Querida Patrçia! Gostei muito dessa tua postagem. Experiência enriquecedora para esse teu currículo, já tão eclético. Tudo bem organizado, ao que parece. Parebéns mais uma vez.

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  3. Simplesmente amei esse post 🙂 Muito legal conhecer esse evento de moda africano, já curiosa para o próximo! E amei saber que não sou a única doida que se candidata para trabalhar voluntariamente em bastidores de desfiles para ver de perto o acabamento/modelagem/costura/bordado das roupas hehe

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