Blog, costura

O concurso de costura

Estava aqui forçando o tico e o teco tentando lembrar de como fiquei sabendo desse concurso.

Foi assim: Estava conversando com Erica sobre os preços de um manequim de costura aqui na Alemanha quando ela me deu uma dica: “às vezes assinar uma revista de costura tem desconto de $100 euros no valor do manequim”. Os manequins custam 185, daí sairia 85 + a assinatura.

Fui logo conferir pra ver se havia a promoção, mesmo não me animando em assinar nada por ora.

Ao abrir o site da revista, o banner do concurso pulou nos meus olhos e eu fui ver do que se tratava. Bem simples: concurso de costura com vários prémios, incluindo um manequim.

oi?

Engraçado é que havia só + uns 10 dias p/ as votações começarem e eu me animei a participar, então corri pra ler as regras.

A parada foi mais ou menos a seguinte: vc poderia usar qualquer molde da revista e criar um look com o tema “Paris romântica”. Enviar 3 fotos e pedir votos para as pessoas.

Toda semana as 5 mais votadas iam pro top 5 e após 4 semanas, 20 pessoas iriam ser classificadas de 1 a 20. As 3 primeiras iriam para a final em Munique, dando ao vencedor uma viagem à Paris. Segundo e terceiro lugar máquinas de costura top de linha, do 4 ao 8 um manequim, 9 a 13 um vale compras, depois uma malinha de costura e as últimas classificadas, um kit de costura.

Pohan, estava falando do manequim minutos antes e em seguida ele apareceu alí, sendo oferecido num concurso. Era a minha oportunidade, então corri para pensar em algo e costurar.

Essa é a segunda vez que participo de um concurso de costura. O primeiro foi logo que cheguei na Nova Zelândia (aqui) e, embora fosse um concurso bem pequeno, não fui à lugar algum com ele.

Mas uma coisa eu aprendi: em concursos, o ideal é fazer algo bem próximo ao que o tema pede, porque a gente nunca sabe o que os jurados querem. Então fugir demais é um risco grande à se correr.

Pensando nisso e, após ver o ensaio que eles postaram como referência, quis fazer duas coisas: uma saia godê SEM cara romântica (mas sim meio rocker – porque Paris pode ser rocker também) e uma jaquetinha mezzo Chanel mezzo perfecto misturando tweed com couro sintético.

A ideia seria fazer fotos à noite com um look com cara arrumadinha pra um tempinho frio. Ainda bem feminina mas indo pro visual rock.

Idéia boa, não? Mas e o dinheiro pra comprar esse material todo? Cadê?

A verdade é essa, caras leitoras: falei no último post que não posso reclamar da minha vida, mas estar sem trabalhar há quase 10 meses enche minha vida de limites e nem tudo é possível, muito menos quando se pensa em produzir algo apenas para um concurso.

E assim, infelizmente desisti dessas peças.

Folheando a revista, vi este vestido  e achei ele bem bacana. Encontrei um tecido que tinha quantidade suficiente pra costurá-lo e não pensei duas vezes.

Mas não era só isso, queria também fazer uma jaquetinha e usar o mesmo tecido do vestido, no forro. BEM pra ter cara de conjuntinho mesmo, sabe? Alguma coisa em comum entre as duas peças e pronto, acho que ficaria ok.

Com o pouco tempo disponível até começar as votações, não consegui fazer a jaqueta e comecei a ficar mega chateada. Até poderia passar uma noite costurando-a (omg, que loucura!) mas o problema é que o apto onde vivo é pequeno e o som da máquina atrapalharia demais o sono do meu marido.

E convenhamos, ele não tem nada à ver com isso hahaha.

Por este motivo acabei fazendo só o vestido que ficou bem bom. Então peguei meu casaco vinho (este) e botei junto nas fotos e PLIM: Pat inscrita!

Em seguida corri pro Insta Stories pra pedir votos. Depois fui pro Facebook e em pouco tempo estava super bem votada.

Mas na primeira semana não fui classificada =(

Na segunda semana pedi tudo novamente e fiz um vídeo no Youtube e olha, vocês são demais.

Fui mega, mega votada e entrei. Que alegria!

A coisa mais legal foi ver TANTA gente se movimentando, se envolvendo e pedindo para as pessoas ao redor delas votarem. Eu jamais imaginei receber tanta ajuda e por várias vezes fiquei emocionada. O carinho das pessoas é tão grande que ele atravessa oceanos e chega aqui na Alemanha. Obrigada.

Depois dessa fase de votações, o passo seguinte seria com o juri da revista: Eles que classificariam cada pessoa e dividiriam os prêmios entre elas. A quantidade de votos não seria fator de decisão, sabe?

Por isso torci tanto pela classificação do manequim. Em períodos sem trabalho, dificilmente usaria o dinheiro da casa pra comprar um ítem como este, sabe? E um manequim ajuda muito na hora de costurar uma peça, de mostrá-la no vídeo etc.

O resultado

Desde o dia 31/05 estou aguardando o resultado.

Esse povo alemão se diz pontual mas atrasaram dois dias (hahaha) e pra ser honesta, até agora (05.06) não recebi o email do resultado do concurso.

Mas pouco importa. Ontem o site foi atualizado e a classificação está lá para me encher de alegria!

Fiquei em 4ª lugar, fugindo da final (hahaha) e sendo a primeira para o manequim. êêêêê!

Que legal, que legal!

Agora é esperar o contato deles e juntar o manequim às minhas bagagens.

Acredite ou não, em poucas semanas estarei mudando de casa.

Mas isso é historia pra outro post.

Obrigada novamente pelos votos ❤

Patricia C

Blog, costura, textos

Alemanha – primeiras impressões

Depois de um vôo de quase 37 horas com escalas em Camberra (Austrália), Singapura (onde passamos um dia) e Istambul, chegamos à Alemanha. O céu estava azul e chegamos num sábado de manhã aos 18 graus.

1ko cartão postal de Colônia, numa tarde bonita de sábado

É engraçado chegar numa cidade nova e sentir aquele mix de excitação do novo x o sustinho de não entender absolutamente nada do que se ouve. Escrevo esse texto e lembro daquele nosso primeiro dia em Köln: em poucas horas começou a chover fino e o céu ficou coberto. Estávamos na Hauptbahnhof (estação central da cidade) e tínhamos horário para entrar no apto que alugamos e nenhum taxista podia nos levar pois estava rolando uma corrida grande (tipo São Silvestre) e com isso as ruas e avenidas estavam bloqueadas. E nenhum taxista falava inglês, o único que nos atendeu resolveu pegar a corrida porque tinhamos o endereço impresso e ainda assim o senhor deu 250 voltas na cidade e não conseguiu chegar nem perto da rua onde havíamos alugado um studio / kitnet.

Pra ajudar, nossa mala – que já dava sinais iminentes de morte – quebrou.

Chuvisco x não conhecer a cidade x mala quebrada + andar muitas, muitas quadras ahead.. Que dia! A gente ria tanto, ora de nervoso, ora de graça mesmo. Mas encontramos o apto 🙂

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a primavera laranja que me “pegou de jeito” logo nos primeiros instantes

Fomos para uma kit alugada no airbnb. Pequenininha e bem localizada, me apaixonei de cara pela árvore que tinha na frente. Ao lado, um trem passava constantemente me mostrando o quanto a cidade é movimentada e ativa. Era um apartamentozinho de uns 22m que nos recebeu super bem e me fazia sentir vivendo numa cidade vibrante*. Apesar da internet caótica, foi uma delicia ficar naquele espacinho míni.

4k

meu primeiro cafofo germânico. A paisagem mudava à cada dia:
a temperatura caía junto com as folhas amarelas e secas

Passei o primeiro mês inteiro lendo anúncios de apartamento, visitando imóveis localizados em ruas com nomes impronunciáveis (mentira, aprendi vários! ), encantada com as janelas floridas, fazendo visitas frequentes à Dm, olhando as vitrines arrumadinhas, recebendo mil dicas da Erica (minha mentora germânica), tendo experiências divertidas com a máquina de lavar e enlouquecida com os preços do supermercado, OMG!

Bom, mas este post foi entitulado por “primeiras impressões” e não primeiras vivências (risos), então aqui vai minha lista anotada no celular no final da primeira quinzena:

  • A água tem um gosto estranhíssimo
  • Nenhum restaurante ou café serve água como na NZ
  • As ruas tem construções antigas e mega charmosas
  • Nem todo mundo fala inglês. Os mais jovens, sim. Os mais velhinhos, muito raramente.
  • Há muitos cachorros passeando pelas ruas com seus donos
  • As pessoas enfeitam as janelas com flores e plantas
  • A malha do metrô é bem abrangente e funcional
  • A caixinha de cotonete custa 0,30! omg!
  • A água termal grande custa 9,90€ !

Parece bobo, né? Mas são coisas diferentes da rotina que eu tinha na Nova Zelândia e tudo realmente me chamava atenção. Assim, passei a anotar as pequenas coisas extra-ordinárias.

Abaixo, fotos que fiz nas andanças enquanto saia para visitar apartamentos:

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> floricultura que fica na rua de casa.. sempre rola uma paquera, sempre.

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> um dos milhares de jardinzinhos lindíssimos que vejo. Olha esse vermelho, minha gente! 

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> predinhos lindos. Esses parecem bordados ponto cruz 

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> não sei o que falar sobre esse chão e essas folhas secas e amareladas. Só sei sentir paixão

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> caminho no meio de um parque perto de um apto que amei, mas não fiquei.

10ko> mais predinhos lindos. Merecem um post exclusivo.

É isso! Acho que estou conseguindo colocar o blog em dia (o youtube ainda tá super no delay, coitado! ) e logo mais falarei das máquinas de costura que tenho visto aqui.
Só pra fechar o post, o apto foi encontrado e já estamos instaladinhos e aquecidos. A temperatura tem caído bastante: foi de 18 pra 3 graus em 35 dias! E por falta de roupas um casaco quente foi providenciado.  =)

AQUI tem um post falando sobre a saída da NZ e AQUI, desmontando o ateliê.
No Youtube, muitos vídeos, vai lá!

Boa semana,
Pat

obs2. Hoje rolaram vários terremotos na NZ e meu coração está com vc, meninas. Queria abraça-las. ❤️