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Costurando uma calça hipster

Desde que fiz a calça jeans pro Raphael ( ESTA ) prometi uma preta à ele.
Fazia tempo que ele estava querendo uma calça jeans que fosse toda preta-preta-preta e eu disse à ele que isso não existe. Ou seria aquele preto acinzentado ou eu faria a calça de sarja.

Explico: no processo de tingimento do denim, o corante acessa apenas o fio, a trama fica crua, por isso o avesso é sempre mais claro, o entermeio sem mantém praticamente sem tingimento. É por isso que a calça jeans preta é “meio cinza, meio grafite”. Por mais clara ou escura que seja, nunca é 100% preta-preta-pretinha.

Daí que encontrei uma sarja numa promoção por míseros 5 contos e trouxe pra casa. Ela tem elastano e não é muito grossa/pesada, perfeita para uma pessoa que passa o dia sentado, trabalhando. Lavei como de costume, dobrei e o tecido entrou na fila de espera das costuras 🙂

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Um dia ele viu essa calça na internet e veio me mostrar. Fiquei uns minutos observando o modelo e perguntei: vc gosta da calça toda ou apenas do zíper deslocado? Veja bem, a perna tem um volume que quase lembra uma bombacha e o cós não é o de calça jeans. Optamos por tentar fazer esse ziper deslocado e manter a modelagem sequinha como da calça anterior.

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A partir daí comecei a adaptar o molde antigo para conseguir esse resultado. Fiz as alterações no olho e em seguida cortei a calça direto no tecido sem piloto. Como sabia que serviria nele, o risco mesmo era o zíper deslocado dar errado, então segui sem medo.

Uma coisa ruim: O tecido tinha apenas 1,10 de largura, assim precisei riscar o molde tudo milimetricamente encaixado porque quase faltou tecido. Que tristeza! Os tecidos no Brasil costumam ter 1,40 ou até 1,50 de largura, este aqui era uma mixaria gringa hahaha.

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Confesso que encaixar o zíper deslocado foi fácil, problema era manter o equilibrio do desenho da calça, evitando que tudo se degringolasse pro lado também. Mas deu certo.

Por dentro fiz umas coisas mais bonitinhas: usei um retalho de um tecido acetinado que ganhei e forrei a parte superior e fiz também o cós forrado com acabamento em viés de cetim, bem na linha dos acabamentos da alfaiataria. Infelizmente as fotos não ajudam muito porque fotografar preto é para os fortes: fica tudo meio lavado e o azul quase não aparece.

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Quando terminei a calça, ele provou e gostou muito, mas disse que era estranho subir o zíper estando ele deslocado. Eu bem imaginei que isso pudesse acontecer, né? Afinal, estamos acostumados à só puxar o zíper pra cima rapidinho, não? Puxá-lo pro lado deve ser meio esquisito mesmo, principalmente com uma calça mais ajustada como a que eu fiz.

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Bom, acho que dentre todas as calças, essa foi a mais bem feita. Todas ficaram boas, confesso, mas a cada calça consigo melhorar uma coisa ou outra. Depois vou comprar uma lã e fazer uma calça de inverno pra ele, já que o inverno aqui é bastante geladinho.

 

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Gostaram? Em breve vou postar o vestido que fiz pra mim e os infantis que ensinei a fazer no Youtube ( AQUI ) e ficaram super lindinhos.
Até logo e boas costuras, Pat

 

 

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Sonhos de uma tarde de verão

Logo depois que terminei o vestido pra minha sogra [ESTE] , retirei do armário um tecido que trouxe do Brasil para cortar o mesmo modelo pra mim. Confesso que deveria ter feito um novo molde, mas inicialmente a preguiça falou mais alto e acabei decidindo por reduzir o molde que havia usado anteriormente.

E no fim tive muito mais trabalho.

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Fiz a primeira redução levando o molde para as medidas próximas ao meu corpo.

Também desmanchei a peça piloto que havia feito anteriormente para costurar um teste no atual molde e provar. Nessa prova notei que o molde ainda continuava grande, então tive que mexer novamente em todas as partes cuidadosamente. Diz aí se não era mais fácil ter feito um molde do zero? Nessas horas eu só lembro da mãe da minha amiga Priscila, que dizia: – Se tivesse feito direito, não teria que fazer duas vezes. Hahaha Dona Regina sempre certa 🙂

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O tecido usado é uma viscose de inverno, ela é mais grossa e encorpada, sem ser pesada. Este é um tecido delicioso e com um caimento bem bom, ótimo para vestidos e saias. Por não ser fininha, não pede forro, mas como eu gosto de forrar as peças, optei por fazê-lo mesmo assim.

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A única coisa que mudei do vestido que fiz pra Sandra para o meu foi o fato de ter feito o meu regata. Eu AMO vestidos com mangas, mas estava afim de uma regatinha para os dias de sol e assim o fiz. Só queria ter deixado-o mais longo, abaixo do joelho como fiz neste vestido, mas vacilei na hora de aumentar o comprimento e esqueci. Tudo bem.

Abaixo, fotos feitas no Waterfront – Wellington NZ

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O vestido está um pouco largo no meu corpo, acho que cabe direitinho numa pessoa manequim 40, mas uso mesmo assim. Não tô afim de desmancha-lo (alô mãe, alô Evânia!) e é bom ter uma peça um tico mais larga no armário. A jaqueta vinho é esta aqui.

Bom, vou fechar o post com essas fotos que Sr. Raphael andou fazendo neste pôr do sol lindo:

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beijo,
Pat