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Tecido de qualidade vale a pena, sempre.

Dia desses tínhamos um horário reservado lá na alfaiataria para um senhor que solicitou uma reforma. Quando ele chegou, já engatou um papo contando histórias: havia comprado o terno há muitos anos, já o considerava modelo antigo mas, pelo fato de ser um terno querido, continuava usando. O problema era o forro, que precisava ser trocado urgentemente.

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O alfaiate ficou lá conversando com ele e eu voltei para os meus afazeres. Quando o terno chegou até mim, reparei que o forro estava um trapo – bem puído, com alguns rasgos e até bolinhas – … “realmente era hora de trocar o forro”, pensei enquanto anotava algumas informações e medidas para iniciar o trabalho. Poucos minutos depois o senhor se despediu comentando: cuida bem da minha jaqueta, heim!? 

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Mas enfim, esse post não é para falar sobre o trabalho da reforma, e sim sobre o tecido. Não tem como não reconhecer o valor de um material de qualidade numa peça atemporal. Num tempo de roupa super barata e sem qualidade que dura 6 meses [e vira lixo, ne? pense nisso aqui, ó! ], encontrar uma peça dessa é pensar que sim, vale a pena comprar um tecido bom para costurar nossas roupas. Clique na foto abaixo e repare no tecido do lado externo.

Não havia um fio puxado na lã, nem bolinhas ou desgaste. Nada, absolutamente nada.

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Pena que eu não tirei foto da etiqueta que fica dentro do bolso, com as medidas e o modelo. A peça datava 2007, ou seja, é um terno que há nove anos vem sendo usado e o tecido mantém-se perfeito. Acho que esse é o ideal das coisas: usar mais, durar mais, ciclar menos e consequentemente, gerar menos lixo.

Tarefa difícil, eu sei.

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Outra cena recentíssima:

Semana passada um rapaz levou uma calça social social mega velha (daquelas com o tecido bem surrado de uso e barra corroída) para fazer uma nova barra e retirar o tecido “carcumido” por pisar na calça ao andar. Fiz o trabalho, arrumei umas coisinhas extras na calça e fui passar no ferro.
Foi nesse momento que as estrelas se alinharam e os anjos cantaram amém: a calça era velha sim, mas feita com um tecido de super qualidade.

Como eu percebi? Na hora que aquele ferro maravilhoso entrou em ação, o tecido ficou todo bonitinho e a calça perdeu todas as marcas e ficou parecendo nova.
Tem outra coisa: tem alguns tipos de lãs que não ficam brilhando após passadoria, então a calça fica zeradinha, sabe? Dá até alegria encontrar uma peça assim e agora, com a barra feita, tenho certeza que ele irá usar muito mais.


 

Tecido de qualidade é amor, acho que sempre vale a pena comprar o melhor tecido que a gente possa comprar (veja bem, não estou falando para comprar o mais caro que a loja tenha, mas o que a gente consegue comprar sem esmagar o bolso) porque qualidade faz muita diferença.  No caso de iniciantes, vale comprar tecidos baratinhos para aprender, mas quando temos segurança no trabalho, vale o investimento.

Eu tenho pensado nisso à cada dia. Sigo na minha vontadinha de não ter tanta coisa, mas que as roupas que eu tenha sejam de qualidade.

E você, qual sua relação com tecidos? Comente aqui embaixo =)
Até logo,
Pat

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Quando o trabalho é uma escola

O verão disse adeus às terras neozelandesas mas deixou boas lembranças e muitos ensinamentos. Uma das experiências mais prazerosas na alfaiataria foi ter trabalhado em tantos vestidos de festas e noivas.

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Há tempos tenho ficado interessada nesse universo bridal, nunca antes havia mexido nesse tipo de vestidos e, quando eles começaram a aparecer um à um, fiquei super animada. Era a chance de olhar cada um por dentro, entender as estruturas e também poder tocar e conhecer tecidos de roupas (quase sempre) tão legais.

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Selecionei algumas fotos e histórias para compartilhar aqui no blog e manter registro:

Este vestido abaixo era de uma mocinha que seria madrinha de um casamento e precisava de um vestido exatamente nessa cor, mas o coitado não servia nela, nem por reza. Se eu fosse amiga dela teria dito: Miga, sua louca, bora procurar outro vestido proçê porque esse não tá bom não” mas minha função não é dar dicas de estilo e sim consertar esses problemas, certo?

Ele era uns dois números menor que ela e, apesar de ter pouco seio, o busto ficou completamente amassado, sabe? Não estava legal. Sem contar que ele não fechava da cintura pra cima, um sufoco!

2Desmontei parte do vestido pra retirar as barbatanas das costas e assim ganhar um pouco mais de tecido. Eu confesso que o inicio fiquei com um pouco de medo de estragar essa peça porque era um vestido de seda que custa mais de 700 dólares, e, caso estragasse, meu pescoço estaria comprometido junto, risos.

3Uma das coisas legais é que, depois que meu relacionamento com o alfaiate se transformou (porque no inicio era caótico – AQUI – ) ele passou a confiar muito em mim e passou a deixar todos os femininos na minha mão (até porque ele ñ entende muito de feminino, uma super oportunidade pra mim), então tenho liberdade para definir o que vou fazer e trabalhar como quiser mesmo nas peças mais elaboradas ou nos problemas mais “uó” de se resolver. Tive que mexer também na saia para equilibrar as pregas e a saia encaixou certinho.

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No fim deu tudo certo, deu pra salvar o vestido. A cliente ficou super feliz e com aquela sensação explicita de “uau, agora tenho roupa pro casamento“. Foi bem legal.

Abaixo, um vestido lindo e um dos mais bacanas que eu peguei: bom tecido, boa modelagem, boa proporção e nada over no estilo. Era plus size e a garota havia comprado on-line, então estava largo no busto. O resultado ficou bem bom e nem parece que foi mexido, ne?

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Essa saia é tão linda, mas tão linda que quando vi na vitrine da loja, aproveitei pra provar. Não faz exatamente meu estilo mas eu gosto da estética bailarina-urbana e essas camadas de tule com bordados trazem um resultado maravilhoso.

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Daí um dia uma mulher levou a danada lá pra fazer um conserto (que nem lembro qual era) e eu aproveitei pra pegar os restinhos de tecidos cortados e trazer comigo como amostra. Cada camada de tecido tem um material diferente e cada material faz um efeito diferente na saia, bem bacana também.

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Uma renda bonita que pertence ao vestido da primeira foto.
Mas ficaria mais legal ainda se fosse delicadamente bordada, não?

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E pra terminar, o vestido mais lindo e sofisticado que trabalhei. Quando a noivinha chegou com uma caixa RICA em mãos, pensei: lascou-se! Como imaginei nos primeiros segundos, o vestido (embora simples no modelo) era super luxuoso nos materiais  e custava uma mini-fortuna. Todo em seda (incluindo forros), havia sido feito com tamanha perfeição que toda parte interna e os detalhes eram preciosamente bem cuidados. Só tive que fazer a barra, mas ainda assim, me preocupou o fato de o tecido ser muito, mas muito leve e suave. O bicho deslizava com um sopro na maquina e troquei a agulha por uma finíssima para não ter perigo de puxar nenhum fio. Barra lenço com o dobro de cuidado e voilá, noivinha feliz.

Na foto abaixo ela não estava com o sapato certo, por isso está um tico mais longo.

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Houveram muitos outros vestidos, alguns fáceis de trabalhar e outros mais complicados mas sempre me ensinando um tanto de coisas novas. Pude sacar um pouco de estruturas, bojos, sustentações e mais um tanto de outras coisas. Nada profundamente (pois eu não os fiz) mas sempre dá pra aprender algo novo.

Bom, meu computador está ruim mas volto em breve com outro post. Lá no Youtube, sempre novos videos toda semana =)

Até logo,
Pat