21
    nov
    2016
    0

    Máquinas de costura antigas e fofíneas

    Há pouco mais de um mês passei a procurar uma máq. de costura para chamar de minha.
    Como comentei aqui que tive que vender ou doar tudo o que tinha para me mudar. E tudo significou tudo mesmo.

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    foto de uma miniatura que uma leitora me enviou dia desses

    Confesso que minha idéia inicial seria encontrar uma outra maquina igual à que eu tinha. Além da bichinha ser linda e charmosa, o ponto dela era muito bom e costurava legal tecidos mais grossos. Assim sendo, passei a vasculhar os sites de segunda mão germânicos.

    Triste foi encontra-la por preços mais salgados do que eu gostaria de pagar =(
    Na minha anterior paguei míseros 35 dólares (ok, foi um achado, ela custa mais caro na NZ), mas aqui encontrei por 90 à 150 euros. EUROS!

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    Mas diz aí se não é um amor de verdinha?

    No meio de Outubro encontrei uma máquina baratinha e usada. Era um modelo lançado entre os anos 1980 e 1990 e aparentemente estava em bom estado. A vendedora me disse que comprou para aprender a costurar mas não levou o hobby pra frente, então não sabia exatamente do estado da máquina. Quando a bichinha chegou e eu fui testar, a danada não costurava por nada, então falei com a vendedora e ela devolveu meu dinheiro e retirou a maquininha… Uma pena, porque a máquina aparentava ser resistente (lembrava a overloque que eu tinha!) mas vou falar disso depois no Youtube, risos

    Mas enfim,  este post é pra mostrar a quantidade de máquinas lindas que eu ando encontrando pelo caminho. Eu já conhecia a fama da alta qualidade das máquinas alemãs, só não imaginava que no passado houveram tantas fabricas diferentes e com gente tão criativa fazendo modelos bacanas e bonitinhos. Separei algumas, uma mais fofa e querida que a outra. E as malas? um amor!

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    A maioria delas são simples em recursos mas provavelmente, de alta qualidade. A verdade é que raramente essas máquinas de ferro dão problemas ou costuram mal. Nem corpo mole à tecidos grossos costumam fazer.

    Essas outras abaixo são mais curiosas. Como lidar com esse amarelão? Já imaginei um ateliê bem veranesco decorado com chitas e janelas enormes de frente para uma praia animada!

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    Bonitinhas, né? Confesso que se eu fosse cidadã “das Alemanha” com espaço em casa já teria comprado algumas delas, inclusive as duas minis da déc de 1960 coloridinhas em tons pastel que vi dia desses. A azul clara Adlerette, a Victoria e a Zundapp são muito bacanas.

    Pra fechar o post, comprei uma máquina de costura que estou esperando há dez dias. O vendedor não envia nunca, mas espero que chegue nos próximos dias.

    E vocês, quais são seus modelos favoritos?
    Escrevam aí nos comentários =)

    Espero que tenham gostado,
    Boas costuras,
    Patricia C

    13
    nov
    2016
    0

    Alemanha – primeiras impressões

    Depois de um vôo de quase 37 horas com escalas em Camberra (Austrália), Singapura (onde passamos um dia) e Istambul, chegamos à Alemanha. O céu estava azul e chegamos num sábado de manhã aos 18 graus.

    1ko cartão postal de Colônia, numa tarde bonita de sábado

    É engraçado chegar numa cidade nova e sentir aquele mix de excitação do novo x o sustinho de não entender absolutamente nada do que se ouve. Escrevo esse texto e lembro daquele nosso primeiro dia em Köln: em poucas horas começou a chover fino e o céu ficou coberto. Estávamos na Hauptbahnhof (estação central da cidade) e tínhamos horário para entrar no apto que alugamos e nenhum taxista podia nos levar pois estava rolando uma corrida grande (tipo São Silvestre) e com isso as ruas e avenidas estavam bloqueadas. E nenhum taxista falava inglês, o único que nos atendeu resolveu pegar a corrida porque tinhamos o endereço impresso e ainda assim o senhor deu 250 voltas na cidade e não conseguiu chegar nem perto da rua onde havíamos alugado um studio / kitnet.

    Pra ajudar, nossa mala – que já dava sinais iminentes de morte – quebrou.

    Chuvisco x não conhecer a cidade x mala quebrada + andar muitas, muitas quadras ahead.. Que dia! A gente ria tanto, ora de nervoso, ora de graça mesmo. Mas encontramos o apto :)

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    a primavera laranja que me “pegou de jeito” logo nos primeiros instantes

    Fomos para uma kit alugada no airbnb. Pequenininha e bem localizada, me apaixonei de cara pela árvore que tinha na frente. Ao lado, um trem passava constantemente me mostrando o quanto a cidade é movimentada e ativa. Era um apartamentozinho de uns 22m que nos recebeu super bem e me fazia sentir vivendo numa cidade vibrante*. Apesar da internet caótica, foi uma delicia ficar naquele espacinho míni.

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    meu primeiro cafofo germânico. A paisagem mudava à cada dia:
    a temperatura caía junto com as folhas amarelas e secas

    Passei o primeiro mês inteiro lendo anúncios de apartamento, visitando imóveis localizados em ruas com nomes impronunciáveis (mentira, aprendi vários! ), encantada com as janelas floridas, fazendo visitas frequentes à Dm, olhando as vitrines arrumadinhas, recebendo mil dicas da Erica (minha mentora germânica), tendo experiências divertidas com a máquina de lavar e enlouquecida com os preços do supermercado, OMG!

    Bom, mas este post foi entitulado por “primeiras impressões” e não primeiras vivências (risos), então aqui vai minha lista anotada no celular no final da primeira quinzena:

    • A água tem um gosto estranhíssimo
    • Nenhum restaurante ou café serve água como na NZ
    • As ruas tem construções antigas e mega charmosas
    • Nem todo mundo fala inglês. Os mais jovens, sim. Os mais velhinhos, muito raramente.
    • Há muitos cachorros passeando pelas ruas com seus donos
    • As pessoas enfeitam as janelas com flores e plantas
    • A malha do metrô é bem abrangente e funcional
    • A caixinha de cotonete custa 0,30! omg!
    • A água termal grande custa 9,90€ !

    Parece bobo, né? Mas são coisas diferentes da rotina que eu tinha na Nova Zelândia e tudo realmente me chamava atenção. Assim, passei a anotar as pequenas coisas extra-ordinárias.

    Abaixo, fotos que fiz nas andanças enquanto saia para visitar apartamentos:

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    > floricultura que fica na rua de casa.. sempre rola uma paquera, sempre.

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    > um dos milhares de jardinzinhos lindíssimos que vejo. Olha esse vermelho, minha gente! 

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    > predinhos lindos. Esses parecem bordados ponto cruz 

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    > não sei o que falar sobre esse chão e essas folhas secas e amareladas. Só sei sentir paixão

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    > caminho no meio de um parque perto de um apto que amei, mas não fiquei.

    10ko> mais predinhos lindos. Merecem um post exclusivo.

    É isso! Acho que estou conseguindo colocar o blog em dia (o youtube ainda tá super no delay, coitado! ) e logo mais falarei das máquinas de costura que tenho visto aqui.
    Só pra fechar o post, o apto foi encontrado e já estamos instaladinhos e aquecidos. A temperatura tem caído bastante: foi de 18 pra 3 graus em 35 dias! E por falta de roupas um casaco quente foi providenciado.  =)

    AQUI tem um post falando sobre a saída da NZ e AQUI, desmontando o ateliê.
    No Youtube, muitos vídeos, vai lá!

    Boa semana,
    Pat

    obs2. Hoje rolaram vários terremotos na NZ e meu coração está com vc, meninas. Queria abraça-las. ❤️

    9
    nov
    2016
    1

    Desmontando um ateliê

    Editar os últimos vídeos feitos dentro do apartamento onde eu mova na Nova Zelândia (este , este e este) foram como mexer num álbum de fotos. Eu olhava cada frame do vídeo e pensava: mas gente, eu tinha tudo isso? Só que no instante seguinte lembrava que “tudo isso” foi vivido há cerca de um mês atrás.

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    Quando a Alemanha surgiu na nossa vida ficamos animados e começamos a estudar as possibilidades. Havia o medo da língua desconhecida mas também a excitação da cidade muito bem localizada geograficamente. Assim “tico e teco” começou a viajar pensando em todos os museus que poderíamos ir e também no tanto que a Europa poderia nos proporcionar em relação à deslococamentos, incluindo o fato de estarmos bem mais perto do Brasil. Os olhos brilhavam!

    Quando saí de São Paulo, trouxe comigo minhas malas bem recheadas de ítens, muitas desses, de costura. Na Nova Zelândia comprei muitas coisas, tanto porque precisava (máquinas, mesa, cadeira etc) como por oportunidade (manequins, tecidos lindos, revistas, livros, coisas bonitas de costura mas sem tanta utillidade etc). Aquele espaço onde eu gravava todos os vídeos era exclusivo meu e relativamente organizado, então eu ia deixando tudo lá. Quando soube que iria mudar, comecei a ficar preocupada, eu sabia que nem tudo caberia nas malas que eu tinha e fazer a seleção do que trazer não seria nada fácil..

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    Meu pensamento inicial foi bem simples: Vou separar o que realmente quero para levar. As coisas que gosto, que podem ser úteis mas que encontro em qualquer lugar, tentaria vender ou doar. No primeiro instante pensei em trazer as duas máquinas. Em seguida, pensei: 2 x 10k não é uma boa idéia.

    E nisso a overloque entrou rapidamente pra lista de coisas à vender, incluindo mesa, cadeira, manequim vermelho, tecidos e miudezas no geral. A verdinha viria comigo de qualquer jeito: eu a colocaria no fundo de uma das malas e rechearia a mala com minhas roupas e tecidos e ela viria protegidinha. ♥︎

    Então comecei a organizar a venda de todas as coisas da casa. Paralelo à isso, organizando documentos, vendo entrega de apartamento, fazendo minhas encomendas, organizando viagens e pesquisando passagens para mudar…
    Ahm, as passagens aéreas ✈︎ ✈︎ ✈︎

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    Um dos últimos trabalhos que fiz: consertos das bandeiras do Consulado.
    E chovia tanto nesse dia..

    As passagens aéreas

    Comprar tickets que nos permitiriam sair do começo-do-mundo rumo ao velho continente foi tipo tomar uma surra: à cada clique ardia um pouquinho as costas. Ou as passagens eram caras ou os trechos eram muitíssimo demorados – sim, no superlativo absoluto sintético – (risos!) porque demorados, todos os vôos saindo da Oceania são.

    No fim, achamos uma passagem legal: bom preço, boa rota e bom tempo de viagem. Sairíamos de Wellington dia 02 de Outubro e chegaríamos na Alemanha no dia 04, passando por Singapura e Istambul.

    Claramente lembrei de checar a franquia de malas e a informação não era lá muito clara: 30k.
    – 30 kilos o que? uma mala? duas de 30? Duas de 15? Qual a dimensão aceita?

    E com isso comecei a vasculhar todo o site da cia aérea. O site da Oceania, o site americano, o brasileiro e até a versão turca. Triste foi ver que a franquia de bagagem na classe econômica era 1x30k sem choro ou sem vela. Para business, 1x 40k e beijo no ombro.

    Mas existe a opção pagar por mala extra, certo? Sim, existe, mas quem decide o valor da mala exta é a própria cia aérea* e custava 35 euros o kilo adicional , ou seja, 10k = 350 euros. 30 kilos = MIL E CINQUENTA EUROS para levar uma mala.
    De boa, nem minhas coisas custam isso. Que balde de água fria.

    Também pesquisei: outras cias aéreas levando mala extra, correio, fedex (e afins), empresas especializadas em mudança de baixo custo (container no navio), empresas de mudança que compartilham o container etc etc etc. Nada era totalmente viável. Ou nossas coisas não se encaixavam nos requisitos (por serem poucas – comparando com mudanças reais onde as pessoas levam a casa toda) ou não cabiam no que era ok pagar.
    Além disso, enviar coisas para outro país não é nada simples, há uma burocracia gigante envolvendo todo o processo, incluindo listar item à item dentro da caixa, seguros etc.

    Não havia escolha, teríamos que deixar tudo pra trás.

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    No meio do olho do furacão: tentando encaixar as coisas na mala e separando “montinhos” para doar / vender

    Comecei preparando o emocional de que eu me mudaria com o mínimo AND que no fim, são apenas coisas.

    A máquina é linda? É, mas há outras máquinas no mundo (além da verdinha ser Sueca, bem possível encontrar alguma pela Europa). As revistas e os livros que eu tinha eram legais? eram, mas… Até o manequim azul, que eu achei que conseguiria desmontá-lo por ser de papel e trazé-lo dobradinho, entrou na dança.

    Hoje -um mês e meio depois- sinto falta de alguns livros e de alguns tecidos que deixei pra trás. Sinto até falta das máquinas (já que está relativamente difícil encontrar outra) mas é assim mesmo, toda escolha tem seu ônus e bônus e a gente escolheu mudar e as coisas não puderam vir. Bola pra frente.

    Mas pra listar:
    – a overloque foi pra Ellyy, que eu dei aula
    – a verdinha foi pra uma mocinha neozelandesa e costureira chamada Rachel
    – o manequim vermelho foi pra outra neozelandesa que começou à costurar há pouco
    – o manequim azul de papel foi comprado por um rapaz sapateiro
    –  tecidos, miudezas, revistas e aviamentos foram para duas amigas queridas

    Acho que quase tudo o que eu tinha e gerava certo apego foram para pessoas legais. E isso é massa! Eu sei que são apenas coisas, mas são coisas úteis e boas. E com pessoas bacanas ♥︎

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     última semana na NZ, terminando o vestido da Veronika e o casaco da Emi…. a casa já estava bem pelada

    Em Nov/2016 meu status é o de uma pessoa “sem nada”. Tenho alguns tecidos, duas réguas, minha tesoura, poucos aviamentos e algumas linhas.

    Por um lado, há uma sensação boa de não ter nada e ter a possibilidade de repensar isso, ou seja, comprar menos e acumular menos ainda. Também há uma sensação legal de continuar estudando modelagem, já que todos os meus moldes foram para o beleléu e eu vou refazer algumas coisas que não pude trazer (nem preciso falar nada sobre minhas roupas, certo? Os casacos de frio foram todos doados, inclusive aquele azul, novinho..)

    Mas enfim, é assim mesmo.


     

    Aprendizados dessa mudança:

    1) Não achar que tudo no Br é uma merda e nos outros países, tudo lindo. Veja só, nossa franquia de bagagem brasileira são duas malas de 32k quando a maioria dos paises não chega nem perto disso. A mesma passagem que eu comprei, saindo do Br seriam duas malas de 32. Saindo da NZ, 1 de 30.

    2) Fui pra NZ pensando seriamente em não acumular nada e, mesmo tendo pouca coisa, no final, eram mais do que eu imaginei. No fim, estava acumulando de novo.


     

     

    É isso. E está tudo bem.

    Love,
    P

    31
    out
    2016
    0

    Links – arte

    Pra começar, o portifólio da artista Amy Borrel.

    Nem vou falar muito, clique no link abaixo e passe horas em cada galeria. É uma alegriazinha na vida ver desenhos tão lindos e paletas de cores tão bem coordenadas numa delicadeza sem fim. AQUI

    Screen Shot 2016-10-31 at 11.52.37

     

    2) Um link muito querido: o canal Hoy es arte no Youtube [aqui]
    Raphael que me mostrou e desde então adoro ficar assistindo os videos desse canal. Alguns são curtinhos e pontuais, mas os meus favoritos são os que ele passam um dia com um artista. Nessa playlist aqui vc pode escolher pelo nome do artista, mas se tiver tempo e gostar de arte, vale ver todos. Todos.

     

    3) Maravilhoso, mas só vai fazer a cabeça dxs nerds: Curso de História da Arte da Unesp.
    Escrever essa linha acima me dá até paz no coração por saber que este curso está disponível para todos em altissima qualidade de conteúdo. E eu disse que era só pros nerds pq nada é resumido e o conteúdo é denso, tem que curtir mesmo.
    Mas cada aula vale a pena. AQUI

     

    Boa semana,

    Patricia Cardoso

     

    obs. para receber os posts por email, cadastre-se aqui na caixa ao lado —>

    26
    out
    2016
    12

    Nova Zelândia e a hora de dizer adeus

    Parece que foi ontem quando resolvi colocar minha câmera na bolsa e seguir para o trabalho. Os dias na alfaiataria seguiam seu ritmo e o céu estava azul, com um sol brilhante aos 6 graus do inverno de Wellington. Eu me sentia feliz ao voltar à clicar a cidade com uma qualidade um pouco maior que a do celular e por sorte, guardei essas fotos.

    1_c 1_bvitrine de uma loja na Cuba St | Floricultura no caminho do meu antigo trabalho

    Do último post pra cá passaram-se quase dois meses – o tempo, este danado – passa tão rápido que a gente mal dá conta de processar as informações.

    E tanta coisa aconteceu: saí da alfaiataria, engatei um MONTE de trabalhos dentro de casa, dei aulas, me envolvi com gente querida, costurei com minhas amigas, viajamos pela Ilha Sul de carro, visitamos consulados, entregamos nosso apartamento neozelandês e pisamos em 3 continentes. Foi assim que me despedi da Nova Zelândia: num evento fugaz que só pôde ser minimamente processado durante 36 horas de vôo entre Wellington e Köln.

    2_aprédio antigo – parte do meu caminho diário

    Eu adorava viver na Nova Zelândia. A minha vidinha pacata, aquele mar todo e as lojinhas de tecido sempre fizeram com que eu me sentisse satisfeita lá. O mais engraçado é que o vento da mudança assopra fortemente e leva tudo de uma vez.
    A vida foi mudando e de repente começou a aparecer um tanto de trabalho pra mim; ao mesmo tempo fui conhecendo pessoas muito legais e me envolvendo com elas; e começei a dar aulas e de repente era hora de ir embora. Como assim??

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    1_avitrine de uma loja de tecidos e vitrine de uma loja de decoração e presentes na Willis St.
    Diz se esse lenço não está um amor?

    O final de Agosto e o mês de Setembro foram tão corridos que algumas horas  eu me sentia patinando num piso molhado com detergente e água: era divertido mas mal dava pra curtir direito por conta do perigo. E meu perigo era a falta de tempo para fazer todas as coisas que eu queria fazer.

    Duas viagens programadas, alguns consertos/ajustes para entregar, um vestido e um casaco para fazer, aulas de costura, burocracias com documentação, venda de tudo o que dava pra ser vendido e se despedir das amigas. E que saudade delas! **

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    rosa5 4♥ Miky, Inessa, Dudu, Sami, Emi, Rapha, Laila, Ellyy 
    Nossos jantares, cafés e rolês ♥

    Tem pouco mais de um ano que me caiu a ficha que a Nova Zelândia havia sido o meu local de realização. Foi lá que eu realizei o sonho de viver em outro país, de desenvolver uma segunda língua, de morar perto do mar e de sentir a neve. Quando isso me caiu a ficha, tornou-se o alívio para os dias difíceis ou para quando a saudade apertava.

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    A neve vista de cima. Desculpe o linguajar, mas só um “caralho, que lindo” cabe aqui.

    Dentre as dores e delícias de ser uma expatriada, fui muito feliz nesses quase dois anos neozelandeses. Só que realmente foi mais rápido do que eu imaginava. Ok que não fomos para a NZ pensando em ficar lá por muito tempo mas também não imaginei que me mudaria tão de repente. Mas valeu. Valeu conhecer cada pessoinha de um cantinho do mundo, valeu comer o melhor roti do planeta, ver os lagos coloridos e paisagens deslumbrantes. Valeu trabalhar numa alfaiataria que foi quase uma pós graduação pra mim, valeu até chorar de saudade.

    Foi bom, muito bom.

    marzao

    NZ está no meu coração. Quem sabe um dia a gente volte à se encontrar, não?
    Hei konã rã Aotearoa*
    Foi ótimo viver em você

    com amor,
    Pat

     

     


     

    * obrigada, Nova Zelândia – na língua Maori. Aotearoa é o nome Maori para NZ e significa terra de longas nuvens brancas.

    ** sorry, usei o feminino porque são a maioria.

    12
    ago
    2016
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    Aulas de costura na NZ

    Julho foi um mês de mudanças inesperadas e, dentre as mudanças, a melhor coisa que me aconteceu foi poder voltar à dar aulas de costura aqui na Nova Zelândia.

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    Claro que eu mato minha vontade com o Youtube, realmente gravar os vídeos me satisfaz aos montes mas, tenho que assumir que sentar numa mesa e ver o desenrolar de projetos me traz uma satisfação incomensurável.

    Minha aluna é uma brasileira que já costurou antes, então pude pular toda a introdução com ela e planejamos fazer só as coisas que ela quer fazer. A primeira peça foi o vestido xadrez vermelho que ficou tão lindo, mas tão lindo que eu saltitei quando ficou pronto (quem me segue no Snapchat, viu!) AQUI tem vídeo.

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    Depois começamos a fazer este meu vestido aqui. Ela o cortou em dois tecidos diferentes: um popeline levinho e um tecido acetinado meeeega leve (que não sabemos o nome) e ambos estão quase prontos. Todos forrados Screen Shot 2016-08-12 at 20.30.32O segundo vestido que ela costurou. Depois fotografo o preto.

    Outra coisa bacana que fizemos foi um rolê pelas lojas procurando máquinas de costura, materiais e tecidos bonitos. Como ela já havia costurado anteriormente, ela já tem uma idéia de tecidos e caimento, daí compramos as coisas pensando nos projetos que ela irá costurar e ficou tudo programadinho.

    A idéia à partir de agora é fazer duas blusas, uma saia longa, um vestido longo e um tubinho. UAU! Bom, vamos aproveitar enquanto é tempo e produzir. Tenho ficado bastante satisfeita com os resultados e com a experiência de voltar à dar aulas em casa. Como foi há cinco anos.

    Bom, depois posto outras coisas que tenho feito aqui,
    Beijo
    Pat

    29
    jul
    2016
    0

    Tecido de qualidade vale a pena, sempre.

    Dia desses tínhamos um horário reservado lá na alfaiataria para um senhor que solicitou uma reforma. Quando ele chegou, já engatou um papo contando histórias: havia comprado o terno há muitos anos, já o considerava modelo antigo mas, pelo fato de ser um terno querido, continuava usando. O problema era o forro, que precisava ser trocado urgentemente.

    1terno

    O alfaiate ficou lá conversando com ele e eu voltei para os meus afazeres. Quando o terno chegou até mim, reparei que o forro estava um trapo – bem puído, com alguns rasgos e até bolinhas – … “realmente era hora de trocar o forro”, pensei enquanto anotava algumas informações e medidas para iniciar o trabalho. Poucos minutos depois o senhor se despediu comentando: cuida bem da minha jaqueta, heim!? 

    1ter

    Mas enfim, esse post não é para falar sobre o trabalho da reforma, e sim sobre o tecido. Não tem como não reconhecer o valor de um material de qualidade numa peça atemporal. Num tempo de roupa super barata e sem qualidade que dura 6 meses [e vira lixo, ne? pense nisso aqui, ó! ], encontrar uma peça dessa é pensar que sim, vale a pena comprar um tecido bom para costurar nossas roupas. Clique na foto abaixo e repare no tecido do lado externo.

    Não havia um fio puxado na lã, nem bolinhas ou desgaste. Nada, absolutamente nada.

    1tern

    Pena que eu não tirei foto da etiqueta que fica dentro do bolso, com as medidas e o modelo. A peça datava 2007, ou seja, é um terno que há nove anos vem sendo usado e o tecido mantém-se perfeito. Acho que esse é o ideal das coisas: usar mais, durar mais, ciclar menos e consequentemente, gerar menos lixo.

    Tarefa difícil, eu sei.

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    Outra cena recentíssima:

    Semana passada um rapaz levou uma calça social social mega velha (daquelas com o tecido bem surrado de uso e barra corroída) para fazer uma nova barra e retirar o tecido “carcumido” por pisar na calça ao andar. Fiz o trabalho, arrumei umas coisinhas extras na calça e fui passar no ferro.
    Foi nesse momento que as estrelas se alinharam e os anjos cantaram amém: a calça era velha sim, mas feita com um tecido de super qualidade.

    Como eu percebi? Na hora que aquele ferro maravilhoso entrou em ação, o tecido ficou todo bonitinho e a calça perdeu todas as marcas e ficou parecendo nova.
    Tem outra coisa: tem alguns tipos de lãs que não ficam brilhando após passadoria, então a calça fica zeradinha, sabe? Dá até alegria encontrar uma peça assim e agora, com a barra feita, tenho certeza que ele irá usar muito mais.


     

    Tecido de qualidade é amor, acho que sempre vale a pena comprar o melhor tecido que a gente possa comprar (veja bem, não estou falando para comprar o mais caro que a loja tenha, mas o que a gente consegue comprar sem esmagar o bolso) porque qualidade faz muita diferença.  No caso de iniciantes, vale comprar tecidos baratinhos para aprender, mas quando temos segurança no trabalho, vale o investimento.

    Eu tenho pensado nisso à cada dia. Sigo na minha vontadinha de não ter tanta coisa, mas que as roupas que eu tenha sejam de qualidade.

    E você, qual sua relação com tecidos? Comente aqui embaixo =)
    Até logo,
    Pat

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